quinta, 23 de novembro de 2017

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COOPERAÇÃO BRASIL-ÁFRICA

Mais de 50 anos de cooperação

Além dos EUA, nações da Europa, da Ásia e da América do Sul também se aproximam da África. O Brasil é parceiro desde a década de 1960

Por Redação brazilafrica | 04/08/2014

O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência das nações africanas de língua portuguesa como Angola e Moçambique. Durante o regime militar, o governo implantou os programas de bolsa de graduação e pós-graduação para estudantes do exterior no Brasil, beneficiando principalmente os africanos.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (IPEA) e da Agência Brasileira de Cooperação, entre os estrangeiros beneficiados pelo programa de bolsas de pós-graduação, 21,1% dos 440 estudantes eram da África em 2010. No programa de graduação, o percentual chegou a 80,9% de africanos entre os 1,6 mil universitários.

“Outros governos deram continuidade nas relações com o continente africano. Mas foi a partir do governo do presidente Lula que a África entra definitivamente no mapa estratégico da política externa brasileira, com muitos projetos, muitas políticas de cooperação. Com isso o continente torna-se muito estratégico para o Brasil, que por sua vez começa a desenvolver a cooperação sul-sul de forma mais ativa”, avalia o professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Carlos Roberto Milani.

MOZAMBIQUE-BRAZIL-GUEBUZA-ROUSSEFF

Outra cooperação relevante é o Programa de Aquisição de Alimentos na África (PAA África) que deve ser ampliado para mais 12 países africanos. Atualmente o programa funciona na zona rural e apoia a agricultura familiar em cinco países ─ Etiópia, Maláui, Moçambique, Níger e Senegal ─ beneficiando 120 mil estudantes, 5 mil agricultores e 424 escolas.

 

Muito além da diplomacia
O comércio bilateral entre Brasil e os países da África se intensificou e registra crescimento desde 2010. A soma das exportações e importações chega a US$ 211 bilhões no período de 2003 e 2013. No último ano, o Brasil exportou US$ 11 bilhões para as nações africanas e importou delas US$ 17,4 bilhões em mercadorias. Em termos de comparação, em 2003 a nação brasileira exportou US$ 2,8 bilhões e importou US$ 3,2 bilhões dos africanos, segundos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC).

Há ainda diversas empresas brasileiras atuantes em solo africano, como a Odebrecht, que atua principalmente em Angola, a Marcopolo, com uma filial na África do Sul e a Vale, que atua em Moçambique na extração de carvão. “O Brasil é um país capitalista e o governo defende os interesses das empresas brasileiras. A diferença entre o Brasil e outras nações é a ênfase na solidariedade, no discurso diplomático e nas práticas, que são menos agressivas em setores como o de alimentos e da matriz energética”.

O especialista também ressalta que, mesmo fora da presidência, Lula busca estabelecer contatos com empresários e governos africanos por meio do Instituto Lula. Para a manutenção e ampliação das relações, Milani acredita que o governo brasileiro tem um desafio pela frente. “Acredito que o governo Dilma tem uma maior preocupação em implementar e racionalizar a agenda de projetos. O grande desafio agora é criar uma política pública de cooperação mais verdadeira, com formulação, agenda setting, monitoramento, avaliação dos critérios e dos resultados, além de envolver os debates públicos”, avalia.

 

Publicado originalmente por BrazilAfrica.

 

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