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Banco do Sul promoverá bom uso de recursos naturais

Especialistas reunidos pela organização regional buscam identificar espaços de cooperação financeira e monetária entre os países sul-americanos

Por Redação | 03/08/2015

A consolidação do Banco do Sul e a gestão do dinheiro proveniente da exploração de recursos naturais possibilitarão geração de conhecimento na região, segundo convergiram os especialistas que participaram da Conferência Internacional de Financiamento para Soberania Regional do Conhecimento, realizada em Quito.

Além do desenvolvimento de programas sociais e infraestrutura, especialistas concordam que o Banco do Sul deve financiar construção de conhecimento na região. Fotos: Micaela Ayala/Andes.

Além do desenvolvimento de programas sociais e infraestrutura, especialistas concordam que o Banco do Sul deve financiar construção de conhecimento na região. Foto: reprodução.

O encontro, organizado pela Unasul e a Comissão Técnica Presidencial para a Nova Arquitetura Financeira da Chancelaria equatoriana, tem como objetivo identificar espaços de cooperação financeira e monetária interinstitucional entre os países que conformam a Unasul.

Eudomar Tovar, presidente do Banco Central da Venezuela e encarregado de colocar em funcionamento o Banco do Sul, com sede em Caracas, assinalou que a região tem recursos naturais importantes e estratégicos, e que nesse âmbito o banco deveria ser um suporte.

“Através do Banco do Sul poderemos financiar projetos que estejam ligados ao conhecimento e, no âmbito das diretrizes estratégicas do convênio constitutivo de fortalecer nossa soberania, apoiar o financiamento de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia”, destacou Tovar à agência Andes.

A peruana, Mónica Bruckmann, disse, por sua vez, que é hora de começar a aproveitar os recursos naturais que os países da América do Sul possuem, para gerar rendimentos que financiem as políticas sociais e impulsionem os governos.

“Na Unasul estão ocorrendo debates muito intensos sobre como aproveitar esses recursos naturais desde uma perspectiva de soberania para atender, não os interesses das grandes economias, mas os interesses de nossos povos e o desenvolvimento local e regional”, disse a especialista, que trabalha como pesquisadora de Economia Social e Desenvolvimento Local da Unesco.

Em declarações à Andes, Bruckmann explicou que ao alcançar a soberania dos recursos naturais (benéficos para os Estados nacionais e não apenas para as empresas transnacionais) se poderá alcançar uma soberania de gestão de conhecimentos.

“Dos oito países mais megadiversos do mundo, cinco são sul-americanos. Somos uma região de altíssima concentração de biodiversidade e deveríamos destacar como um objetivo estratégico o desenvolvimento de biotecnologia e genética”, apontou.

Durante sua exposição também explicou que dentre as iniciativas de cooperação entre os países da região também está a criação do Sistema Sul-Americano de Bolsas de Intercâmbio dirigidas a estudantes, pesquisadores e professores, que servirá para trocar experiências, recursos e conhecimento.

 

Romper a dependência cognitiva
Neste sentido também se expressou o titular da Secretaria Nacional de Educação Superior, Ciência, Inovação e Tecnologia (Senescyt), René Ramirez, em cuja exposição apontou que a América do Sul necessita de uma nova arquitetura cognitiva, na qual se promova a geração de conhecimento.

“O Banco do Sul deve trabalhar uma forma de financiamento de capital semente, de capital de risco, que é aquele financiamento que ninguém quer investir”. Possuir um financiamento da inovação (…) para construir um sistema de gestão do conhecimento que impulsione o desenvolvimento, as atividades criativas, facilite a transferência tecnológica e rompa a dependência cognitiva, gerando valor agregado”, disse Ramírez.

Todas essas propostas se conformarão nos planos que a Unasul adotará com a criação de comissões que trabalhem na geração de conhecimento e a consolidação do Banco do Sul. “Tomara que desta reunião saia algo tão completo como este Banco que está sendo esperado pela região, porque o que se necessita aqui é dinheiro”, ressaltou Ernesto Samper, Secretário-geral da Unasul.

Em março passado o chanceler Ricardo Patiño havia informado que o Banco do Sul, um banco de desenvolvimento pensado para fomentar a integração dos países da Unasul, abrirá este ano com sede em Caracas, Venezuela, com um capital inicial de 8 milhões de dólares que chegará a 20 milhões quando alcançar o exercício pleno das suas operações.

A instrumentalização desta nova instituição havia sido decidida no Conselho de Ministros de Finanças da Unasul há alguns anos.

 

Publicado originalmente por Ansur. Tradução livre da Redação BnM.

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