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Países ricos têm que aprender com políticas para refugiados do Brasil, diz representante do Acnur

Segundo Andrés Ramirez, ainda há o que melhorar, mas país se inseriu na situação internacional do tema; São Paulo lidera recepção de refugiados

Patrícia Dichtchekenian | 03/06/2015

Representantes do poder público e de ONGs de acolhimento discutiram nesta quarta-feira (03/06) soluções humanitárias em meio ao aumento do fluxo de imigrantes ao Brasil, em uma mesa redonda organizada pelo Acnur  (Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados no Brasil) em São Paulo — a principal metrópole para solicitantes de refúgio em toda a América Latina.

refugiados

Haitianos trazem documentos para processo de contratação, realizado na Missão Paz, em SP: direito ampliado a outras nacionalidades. Foto: Lamia Oualalou/Opera Mundi.

Intitulado “Diálogo sobre Solidariedade, Convivência e Integração de Refugiados”, o debate se espelhou em outras iniciativas do gênero já realizadas pelo Acnur em cidades como Bancoc (Tailândia) e Pretória (África do Sul). Desta vez, a ideia era propor alternativas aos desafios de integração desta população na maior cidade da América Latina.

“O Brasil tem tido uma boa resposta para receber refugiados do ponto de vista humanitário ao longo de sua história. Os países desenvolvidos que não têm uma política generosa, de portas abertas àquelas pessoas que estão precisando desse apoio, têm de aprender com o Brasil”, declarou nesta quarta-feira (03/06) Andrés Ramirez, representante da agência da ONU para refugiados no Brasil.

Por outro lado, Ramirez afirma que o governo brasileiro ainda tem muito a melhorar com o crescente aumento do número de refugiados ano após ano. “O Brasil não está isolado das tendências globais do tema refúgio, mas faz parte mais e mais desta situação complexa. Para isso, o país precisa se fortalecer, principalmente na estrutura do Conare para poder estar preparado para este desafio”, sugere.

De acordo com dados de maio de 2015 do Conare, o Brasil recebeu o maior número de solicitações de refúgio da América Latina em 2014.

“Os países desenvolvidos têm uma série de responsabilidades para responder às necessidades de proteção internacional de refugiados. Mas é um mito pensar que a maioria dos refugiados está em países ricos: 86% deles estão nações em desenvolvimento”, explica Ramirez.

Segundo o padre Marcelo Monge, diretor da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, um dos mais tradicionais centros de acolhimento de imigrantes, os principais obstáculos que um estrangeiro enfrenta chegando ao Brasil são, entre outras coisas, o desconhecimento dos órgãos públicos para organizar a sua documentação, a adaptação a uma nova sociedade e, claro, a questão do idioma.

A Opera Mundi, a congolesa Mami Pomba disse que uma das maiores dificuldades o aprendizado da língua portuguesa e o acesso à escola para a sua filha, mas, de modo geral, vê o Brasil como um povo muito acolhedor. “Aqui temos oportunidades de nos expressar e isso é muito bom. Mas uma coisa que percebo aqui é que os brasileiros, embora simpáticos, não sabem muito bem o que são refugiados”, conta.

 

Publicado originalmente por Opera Mundi.

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