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CARTA MAIOR

Um sinal de apoio do Mercosul ao Brasil

A chanceler argentina revelou os contatos entre chanceleres e a possibilidade da reunião, "apoiamos a presidenta Dilma, que foi eleita democraticamente"

Da Pagina/12 | 23/03/2016

Os chanceleres dos países que integram o Mercosul emitirão uma mensagem conjunta para dar “um sinal de apoio institucional” à presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. A ministra de Relações Exteriores, Susana Malcorra, anunciou ontem que “nas próximas horas” poderia se concretizar uma reunião, e esclareceu que se está avaliando realizá-la antes da chegada do presidente (dos Estados Unidos, Barack) Obama, ou talvez por meio de uma teleconferência, para produzir “um sinal de apoio institucional” diante da crise política que o governo de Dilma enfrenta. “Estamos monitorando a situação”, confirmou o chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa, encarregado da presidência pro tempore do bloco.

Mercosul

Susana Malcorra, ministra das Relações Exteriores do governo Macri. Foto: EFE/Devra Berkowitz/ONU.

“A preocupação é clara: que um país do peso e do tamanho de Brasil seja afetado por uma crise institucional é algo que preocupa a todos nós, e que também é importante que se possa encontrar uma saída dentro dos marcos institucionais”, assegurou Malcorra, em alusão ao pedido de juízo político aberto contra a presidenta brasileira e as consequências que a desestabilização política do Brasil poderia gerar sobre o cenário econômico da região. “Tenho estado em contato com o chanceler do Uruguai, país que tem a secretaria pro tempore do Mercosul e da Unasul, para coordenar uma reunião do Mercosul”, afirmou a chanceler, demostrando a preocupação regional sobre o tema.

“Acreditamos que é preciso cuidado com o que se diz, apoiamos a presidenta que foi eleita democraticamente”, destacou a ministra, em alusão a Dilma, que assumiu seu segundo mandato presidencial em janeiro de 2015, em meio a uma recessão econômica e uma crise política derivada de causas de corrupção dentro da empresa estatal Petrobras. “Não só esperamos que o Brasil resolva sua crise dentro dos procedimentos da democracia, necessitamos um sócio forte, mas sobretudo um sócio que esteja resolvendo seus problemas”, destacou Malcorra. “Se o Brasil espirra, a Argentina pega pneumonia”, havia imaginado a chanceler, dias atrás.

Malcorra explicou que não estava informada sobre uma possível reunião da Unasul, a respeito da carta enviada pelo presidente uruguaio Tabaré Vázquez, para que o bloco expressasse seu apoio ao governo brasileiro, e comentou sobre as gestões que vem realizando para concretizar uma reunião de chanceleres do Mercosul. A ministra reafirmou que ela e seus colegas do bloco avaliavam “se era possível fazer isso antes da chegada do presidente Obama (na noite desta terça-feira 22/3), ou por meio de teleconferência, para dar um sinal de apoio institucional”, o que seria confirmado no transcorrer do dia. Segundo ela, o tema não faz parte da agenda entre os presidentes Mauricio Macri e Barack Obama, ainda que possa ser abordado durante as conversações.
“Nossa mensagem é que não se pode fazer nada contra o que as instituições democráticas e a Constituição estabelecem”, destacou Malcorra, que esclareceu que, nas tratativas entre os chanceleres do bloco, ainda não havia sido analisada a aplicação da cláusula democrática do Mercosul, que prevê a saída do sócio que não respeitar os cânones institucionais. “Não discutimos isso, não está em nossa agenda a aplicação de uma desvinculação do Brasil do Mercosul, mas poderia chegar a existir”, apontou a chanceler, deixando no ar o que poderia passar no futuro. “Não se pode negar o impacto econômico, tudo isso significa impacto na região e o que queremos evitar é que haja uma desestabilização da região”, agregou a chanceler, insistindo na intenção que queriam imprimir à mensagem de apoio regional para com o governo do Brasil.

As agências de notícias internacionais consultaram Novoa sobre seus ditos. “Falei com a chanceler Malcorra e estamos monitorando a situação”, confirmou o ministro uruguaio.

 

Originalmente publicado na Pagina/12. Fonte: Carta Maior. Tradução: Victor Farinelli

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